terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Salinas de Aveiro



Perto da cidade de Aveiro podem ser visitadas as marinhas de Aveiro e, mais concretamente, as salinas tradicionais. Nos dias de hoje estão em produção pouco mais de três dezenas de salinas, estando a profissão de Marnoto (homem que extrai o sal da água) em "vias de extinção". Curiosamente, a mulher do Marnoto é conhecida por Salineira. Por norma, todas as salinas aveirenses têm o nome da correspondente Salineira.

O sal de Aveiro «é muito mais do que sal». É matéria-prima para alguns produtos de qualidade, em que o primeiro é o sal ecológico produzido de forma tradicional. A «flor do sal», que é o «diamante das salinas», é outro dos produtos retirados da marinha Grã Caravela, a par da salicornia. O sal aveirense é a base do sabão de sal e dos sais de banho que são confeccionados naquela salina, aos quais outros produtos (da cosmética e da higiene corporal) se deverão juntar a curto prazo.
A salina Grã Caravela localiza-se imediatamente a seguir ao eco-museu da Marinha da Troncalhada, na estrada que segue junto ao canal, em direcção às instalações dos clubes náuticos, e que está identificada por uma «caravela» em madeira. Eduardo Oliveira e Alberto Chipelo são os responsáveis pela marinha e pelo projecto que ali está a ser desenvolvido.
Nas marinhas de Aveiro, só a Grã Caravela produz «flor de sal», produto que, no dizer de Eduardo Oliveira, requer um trabalho muito apurado e grande experiência para «ser apanhada e seca». Neste momento, grande parte da «flor de sal» ali produzida está a ser comercializada para o estrangeiro, porque em Portugal este produto ainda é pouco conhecido. Ainda não existe em supermercados, apesar de ser um produto muito cotado em mercados europeus, nomeadamente o francês, onde é vendida a cerca de 45 euros o quilo.
O processo de secagem é uma das operações mais delicadas da produção da «flor de sal», porque «se ela não for bem seca e se for metida dentro dos sacos com alguma humidade acaba por apodrecer, porque é um sal muito fino e muito puro». Este sal é como a sacarina em relação ao açúcar, tem cerca de três a quatro vezes mais de salinização, pelo que se põe em menor quantidade na comida. Menos sal traduz-se em menos magnésio, sódio e outros produtos que este produto tem, o que para pessoas com hipertensão é muito melhor.
A flor de sal também era conhecida, no século XIX, em Aveiro, por «sal de espuma», por ser um «sal finíssimo formado à superfície das águas-mãe, que nunca se precipita para o fundo dos cristalizadores e que concentra as máximas qualidades do produto».
O «Sal d’Aveiro», marca com que é comercializado o sal da Grã Caravela, «sai da marinha e é 100 por cento puro. Por norma, o sal que se encontra à venda é lavado com cloro ou com formol, que é cancerígeno. O «Sal d’Aveiro» não leva qualquer tipo de tratamento. Sai da marinha e é posto em sacos. As vendas não se fazem em armazéns.

3 comentários:

  1. Estive em Aveiro, no ano passado, e comprei um saquinho da "Flor de Sal". Adorei! Gostaria de comprar aqui no Rio de Janeiro. É possível?
    Olga Alencar

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  2. Como posso comprar sal da marinha puro em sacos grandes?

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